Uma das coisas legais desse blog é as pessoas se reconhecerem umas nas outras. E se "darem" colo quando for preciso. Lendo os comentários percebi que essa coisa toda de natal, de fim de ano não está mexendo só comigo de uma forma intensa, está mexendo com muita gente. Então, tenho algo a dizer sobre isso.

Da mesma forma que a TPM age potencializando o que já temos dentro de nós, acredito que o natal faça a mesma coisa. Quem está legal fica super legal, quem não está tão legal fica menos ainda. E cada um tem seu motivo e acho bacana honrá-lo e respeitá-lo. Para falar a verdade, me lembro de apenas um natal bem alegre na minha infância (não consigo lembrar dos outros). Quando eu tinha uns 9 anos eu e meus irmãos eramos loucos por uma fazendona que o meu pai tinha. Era perto do Rio de janeiro, mas a gente morava em São Paulo. Essa felicidade durou apenas 1 ano porque meu pai quebrou pela segunda vez e teve que vendê-la. Minha mãe foi buscar uns objetos lá antes de entregá-la. Eu pedi insistentemente apenas 1 coisa: meu chapéu de cowbói pretinho. Eu adorava esse chapéu, assim como adorava montar na mula Azeitona hehe.
Mas, puxa, minha mãe devia estar tão doida com tantas problemas que acabou esquecendo. Mas, para uma criança, o fato da realidade estar se ruindo ao seu redor não importava tanto, mas o chapéu sim. E fiquei bem triste.

Bom, nesse mesmo ano, no Natal, minha mãe me deu um chapéu igualzinho, azul, mas igualzinho. Sim, ele teve essa delicadeza em meio ao caos. Foi uma grande alegria. Depois cresci, comecei a namorar e comemorava o natal em mais de uma casa. Era uma bagunça. Mas sempre lembro que essa data me deixa mega sensível, um mix de encanto pela beleza das decorações com uma grande tristeza pelo sofrimento das pessoas menos previlegiadas que eu. Esse sofrimento se acentua muito nessa época do ano, momento de compras, então não tem como não captar essa vibração.
Mas onde quero chegar? Quero dizer que ninguém aqui precisa ficar com vergonha se estiver sentindo estranheza, tristeza e até carência nesse fim de ano. Isso tudo também faz parte de você, assim como as folhas secas fazem parte da árvore que trará frutos na primavera. Como disse Clarice Lispector: “Sou composta por urgências: minhas alegrias são intensas; minhas tristezas, absolutas. Me entupo de ausências, me esvazio de excessos. Eu não caibo no estreito, eu só vivo nos extremos.”

Abaixo transcrevo as palavras da Nina Lemos, do blog 02 Neurônio:
"Melancolia tradiconal de dezembro
Eu sei que eu já devia ter me acostumado. Eu sei. Na verdade, eu tenho certeza. Mas não consigo. E de novo chegou dezembro com uma angústia horrível junto. Já estou aqui, vagando meio perdida entre sacolas e listas de tarefas que eu não fiz. O nó no peito, mais tradicional que o Peru Natalino, está de volta. Todos os anos. Todos os anos.
Me arrumo para a festa de firma e acho que o modelo está errado. Arrumo uma mala de verão maior que a de inverno que foi pra Berlin. Resolvo levar 5 biquinis diferentes e duas leggins de borracha (alguém vai usar legging de borracha no Rio 40 graus?). Todos os anos a mesma angústia. Todos os anos.
Fazemos compras nos Jardins disfarçados e rimos aos tropeções. Na hora de dar tchau eu choro em uma esquina. Todos os anos. Todos os anos. Todos os anos em dezembro eu choro em algum lugar esquisito, tipo shopping, banheiro de festa de firma. Todos os anos. Concluímos que eu levei um pouco de sentimento para os Jardins com as minhas lágrimas. E eu choro no táxi depois que dou tchau para o amigo que sai andando pela rua (acompanho ele andar com o olhar). Todos os anos. Todos os anos. Todos os anos de dezembro eu choro dentro de táxi.
Depois vai ter um aeroporto lotado. Eu ouvindo Wander de novo no aeroporto cheio. “Seu pai deixou muito dinheiro, não contava com os pistoleiros”. As ruas cheias. O tráfego aéreo intenso, o especial de fim de ano do Rei. E a minha tradicional melancolia, tão banal. Todos os anos. Todos os anos.
Será que eu nunca vou mudar?"
Até amanhã e seja também um Vigilante da AutoEstima
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Silvana Pereira de Camargo Mitne
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Palha = autoestima baixa Madeira = média Tijolo = ótima
Hoje: casinha de madeira
O que fiz de bom por mim: ajudei uma amiga que estava precisando
O "lobo mau" interno que me detonou: ah, tô estranha, pô!
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