A bruxa devia estar solta esta semana. Em apenas alguns dias vi quatro grandes mulheres surtarem. A primeira, por ter tido um pesadelo onde ela perdia o homem amado para outra mulher e para o vício do passado. A segunda, por ciúmes. A terceira, anciã, pelo nervosismo de ver seu marido, de quase oitenta anos, ir para a mesa de operação. A quarta, por receber de um dia para o outro (literalmente) o aviso de fim de seu casamento.

Vou resumir os quatro casos em apenas uma palavra: abandono! Muitos homens não compreendem o peso deste sentimento na vida de uma mulher. E, curiosamente, estas quatro grandes mulheres foram, de um jeito ou de outro, abandonadas muito cedo por seus pais.
Vou entrar mais fundo na questão. Uma vez fiz um workshop com uma psicóloga americana ph.D (Sukie Miller). Era sobre relacionamentos. Ela disse que homens e mulheres tinham temores diferentes. O grande medo dos homens era a perda da liberdade (não generalizando). O das mulheres, era o abandono. E quando nos sentimos abandonadas interferimos na liberdade do outro.
Ao pesquisar sobre a palavra - abandono - no Deus Google - cheguei em desamparo e daí cheguei em não proteção. Mulheres abandonadas pelo pai muito cedo não sabem mesmo o que é ter sido protegida pela figura masculina. E, portanto, por mais mentalmente fortes que sejam podem, de uma hora para a outra, ter um surto se em determinado momento da vida este código de - abandono - for acessado. E estou falando de mulheres que fizeram anos de terapia.
Isto talvez signifique que uma ferida como esta de infância ou de juventude pode jamais cicatrizar.
Quando uma mulher surta geralmente é vista como frágil e desequlibrada. Homem, então, coitado... E minha pergunta é: por que a fragilidade do outro nos causa tanta ojeriza? Minha opinião: porque somos estúpidos o suficiente para fingirmos que "eu sou forte, você não é". E o surtado nos remete a nossa própria fragilidade, a mesma que evitamos como a cruz que foge do diabo. Maldito seja, portanto, este puto que surta diante dos nossos olhos.
O post de hoje é um manifesto ao direito ao surto para a humanidade inteira. Seja para as mulheres. Seja para os homens. Seja para a própria natureza. Viva este surto que nos revela humanos fortes e frágeis. Alternadamente...
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